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Dia 2/12/2005 - A palestra foi para o pessoal gestor da SMEL - Secretaria Municipal de Esporte e Lazer da Prefeitura de Curitiba.

Dia 01/10/2005 - A palestra foi para a UNICOBA - Caixa Acústica Manaus no desenvolvimento dos gestores.

Dia 24/09/2005 - A palestra foi para a TransValter, no lançamento do Planejamento Estratégico

Dia 26/08/2006 - A palestra foi no HSBC, no Offsite da Auditoria.

Dia 21/07/2006 -Palestra no auditório Perfipar

Dia 14/07/2006 - Palestra no Auditório Sindimetal, Perfipar

Junho/2005 - Colégio Militar de Curitiba e Academia Superação

Dezembro/2006 - Madecal - Caçador - Santa Catarina


 

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Ultramaratona Corrotododia 24H 2005

Resultado Final
Feminino Masculino Categorias


Marathon des Sables Marrocos - 247 km 2005


São Silvestre Internacional - Bal. Camburiú 10 km


Curitiba Guarapuava 247 km


100 km em esteira


Curitiba Baln. Camburiú 203km


100km de São José


Caminhada Curitiba Lapa - 60km


Curitiba e seus parques - 160 km


Caminhada Adrianópolis Curitiba 130km


Curitiba Morretes 86km


Seis horas em esteira 60,8km


História das ultramaratonas no meu Curriculum Esportivo

 

ULTRAMARATONA CORROTODODIA 2007

SUPERAÇÃO

A Ultramaratona Corrotododia 2007 só pode ser definida pela palavra SUPERAÇÃO. De todos, atletas e organização.

No final, o grande campeão Individual da prova de 24 horas foi o Adão Miranda da Silva com a marca de 197,600Km - 494 voltas na pista de 400m.

Os atletas superaram o frio, a garoa, e todo o cansaço de uma prova longa e, por si só, extremamente desgastante.

O resultado geral da prova foi o seguinte:

Campeão Geral 24 Horas Masculino: Adão Miranda da Silva - 197,600km

Campeã Geral 24 Horas Feminino: Ana Maria Levada - 151,200km

Campeão Geral 12 Horas: Paulo Nogueira Starzynski - 100,400Km

Campeão Geral 6 Horas: Epifânio Maciel de Andrade - 70,800km

Campeã Geral 6 Horas: Marineide Alves de Araujo - 59,200km

Equipe Campeã Revezamento Masculino: Equipe UNICENP - com Maurício, Paulo, Paulo César, Fábio - 262,800km

Equipe Campeã Revezamento Feminino: Feliz...idade - Maristela/Merle/Solange/Deise - 172,800Km

A Corrotododia pede aos atletas que possuam fotos da cerimônia de premiação, que enviem-nos para que possamos deixar o nosso site de uma forma bastante adequada.

“Há momentos agitados, decisivos, em que a boa intenção não basta. É quando a vida nos cobra coragem, arrojo, criatividade, e um inabalável espírito de luta. A verdade é que os problemas e os reveses ocorrem com maior freqüência do que gostamos. Os tempos mudam, surgem desafios e novos objetivos. Os guerreiros olham no olho do futuro, sem medo e sem arrogância, mas com a confiança de quem está pronto para o combate”.


Campeões 6 horas, 24 horas e 12 horas - Epifânio, Adão e Paulo


Podium Feminino 24 horas: Ana a campeã, com Tomiko em segundo e Elisete em terceiro


Pódium 24 horas: Campeão Adão, Luciano em Segundo, Emerson em terceiro, Paulo em quarto e Claudemir em quinto.


Pódium de 6 horas - Epifânio,
Jair e Fábio


O campeão da Ultramaratona - Adão Miranda da Silva


RELATO – PAULO NOGUEIRA STARZYNSKI - CAMPEÃO DE 12 HORAS DA ULTRAMARATONA CORROTODODIA –

A idéia de participar de uma ultramaratona de 12 horas sempre me pareceu meio absurda, mesmo após ter me decidido por Curitiba e depois de algum tempo me inscrito na prova.
Essa sim seria diferente...
A prova de 6 horas disputada em São Caetano foi um tremendo desafio, mas estava mais próxima de minha experiências anteriores. Não poderia ser tão mais difícil que fazer Rio Grande, uma ultra de 4:30:00 praticamente sem andar nada. Mas essa nova prova de 12 horas seria algo totalmente novo para mim!
A toda complicação própria da prova estava aliado a minha falta de tempo para treinar. Os últimos longos de verdade haviam sido para Rio Grande e depois disso a inclusão de bons períodos de caminhada como ajuda para as 6 horas. Meu volume semanal estava baixíssimo e o desgaste do combinado 6 horas/Volta a Ilha me deixava meio preocupado com o quanto eu poderia exigir em treinos até o dia 20/05. Os aliados eram a alimentação, que procurei manter em dia durante o período de treino e o fato de estar bastante descançado, uma vez que não conseguia correr como gostaria.
Conforme o dia da prova se aproximava eu tinha cada vez mais certeza que seria muito complicado passar de 100Km... não me parecia possível atingir uma distância dessa magnitude com tanta displicência nos treinos. Mas botei na cabeça que havia uma chance e me agarrei às palavras do Éber, que é brasileiro e não desiste nunca! rs Se eu fosse para Curitiba achando que não dava, já estaria morto antes da largada...
A semana da prova chegou. Hora de descanço total (mais ainda) e dos últimos preparativos.
Na sexta-feira passei na casa da Pam, almoçamos uma macarronada e antes das 14:00 já estávamos na estrada. A viagem foi meio complicada por causa da chuva e da estrada, péssima na parte do Paraná, mas deu tudo certo e lá pelas 19:00 já estávamos no hotel.
Fomos jantar e dar uma olhada na cara de Curitiba. Pelo menos isso, pois não haveria tempo de conhecer nada.
No dia seguinte fomos à Unicenp, local da prova, retirar os kits e assistir a largada do pessoal das 24 horas! De conhecido mesmo estava só o Adão, amigo do Éber. Fui apresentado ao Márcio Villar, Manoel Mendes, o simples e carismático Mozart (organizador da prova) e o Júlio Latini (que alguns conhecem por Bond) que nos recebeu muito bem, ajudou durante todo o tempo e foi uma figura excepcional!! A ele devo muitos agradecimentos, principalmente por nos ajudar a desmontar a tenda e guardar as coisas no carro ao final da prova, quando nem eu ou a Pam tínhamos condições para isso.
Antes da largada já estávamos com a tenda NT montada ao lado da do Júlio, a barraca posicionada ao fundo e tudo nos conformes para quando chegasse nosso momento.
Em meio ao frio devastador e um vento gelado, cortante, partiram os inacreditáveis ultras que fariam as 24 horas de prova.
Assistimos um pouco da prova e voltamos para o conforto do hotel.
Almoçamos um pouco mais cedo e descansamos bastante durante a tarde. Também compramos dois pares de tênis Nike que estavam em promoção no centro de Curitiba.
Era inevitável não pensar na largada que se aproximava e também naqueles que estavam a várias horas desafiando a distância e o frio. Conversamos bastante sobre as táticas de prova.
Eu, pretendia montar uns 12 “blocos” de corrida/caminhada. Correndo entre 40/45min e caminhando o restante até interar 1h. Isso num ritmo que deveria variar entre 5:40 e 6:00 min/km. Não sabia se poderia sustentar tudo isso, mas estava disposto a tentar...
A Pam sentia a ansiedade da estréia (não somente nas ultras, mas nas corridas!) e também bolava as táticas que adotaria... seria importante incluir corridas para amenizar o desgaste pela repetição dos movimentos de caminhada. Sendo assim, ela decidiu correr 7min dentro de cada bloco de meia hora, ou algo próximo disso.
Ficamos um bom tempo discutindo e opinando nos planos um do outro e imaginando o que estava por vir... a torcida maior, aquela que parecia impossível de se realizar, era por uma prova seca. Podia estar frio, mas tinha que estar seco!!
Lá pelas 19:30 deixamos o hotel e fomos comer alguma coisa antes de seguir rumo à Unicenp. Passamos no shopping e comemos um lanche da Subway, bem calórico!
Entramos na universidade e buscamos uma vaga para o carro. Estacionamos bem em frente à pista e já dava para ver o pessoal que continuava rodando, trotando, caminhando. Pegamos o isopor, que naquele frio polar sequer enchemos de gelo e carregamos tudo para a tenda NT. Mais um pouco e chegaria a hora da largada.
Foi apenas faltando 15min para o início que tomei coragem, troquei a calça pelo shorts, tirei o agasalho e coloquei uma camiseta de manga comprida com outra de manga curta, da NT, por cima. Prendí o número e o chip, mesmo sabendo que ele seria inútil; pouco depois da largada o sistema de marcação eletrônica das voltas deu pane total e os técnicos contratados não conseguiram resolver o problema, deixando o pessoal da organização na mão. Muitos corredores estavam irritados alegando a perda de voltas e nisso lhes dou toda a razão. Enquanto a empresa de cronometragem deve ser levada à justiça, a equipe do Mozart merece os parabéns pois desde o momento da falha, até as 10 da manhã do dia seguinte, marcou na mão, volta por volta de todos os atletas. Houveram erros, voltas não computadas, mas o erro é humano... impossível não perder algumas passagens dentre tantos atletas e tantas voltas.
Antes da largada eu já recebera a notícia de que o Luciano Prado não participaria pois tinha feito uma cirurgia na semana anterior. Beleza. Largariam apenas três e eu já tinha troféu garantido, bastava se concentrar nos 100Km.
O Mozart passou algumas instruções, destacou alguns pontos do regulamento e quando o relógio oficial da prova apontava que faltavam apenas 12 horas para o término do evento, ao som da buzina, largamos eu, Gerson e Raul.
Eu estava meio amedrontado só de pensar na prova e por isso foi bastante fácil não se empolgar e sair rápido demais. Corria no ritmo planejado, no limite mais rápido. Em pouco tempo o Gerson já havia me dado uma volta e mantinha um ritmo bem forte. Eu sabia que ele poderia ser rápido e resistente pois nas 6 horas de São Caetano havia acumulado mais de 70Km e terminado muito bem colocado no geral. Por enquanto eu não seria adversário para ele e a única chance de terminar na sua dianteira era fazer o melhor para maximizar a minha distância, torcendo para ele estar fazendo bobagem. O Raul estava num ritmo pouco superior ao meu, mas eu imaginava que ele não poderia se manter assim... inicialmente inscrito para as 6 horas ele migrou para as 12 só para liberar a vaga a um amigo se inscrever na prova menor. Seria sua estréia em ultras e assim, de olho, não achava que ele poderia se manter a 5:30 o tempo todo. Uma vez avaliado o potencial dos “adversário” procurei esquecê-los e fazer a minha prova...
Pela primeira vez pensei que seria muito chato correr durante o tempo todo num esquema tão repetitivo.
Rapidamente a primeira perna de corrida acabou, com 45min a um ritmo médio de 5:42min/km. Era preciso caminhar rápido e enfrentar o frio e a camiseta de baixo que aos poucos ia molhando de suor e ficando gelada. Com a temperatura baixa quase não transpirávamos mas de vez em quando caia um garoazinha bem rápida.
A segunda perna de corrida foi também tranqüila, e eu seguia tomando voltas, principalmente do Gerson. A essa altura já estávamos amigos, quando passava eu falava alguma coisa brincando, ele respondia na boa e tudo ia na esportiva.
Na terceira perna o Raul correu boa parte na minha mira e já ameaçava adotar um ritmo mais lento. Foi engraçado porque eu ia na mesma balada e quando encostava ele aumentava para ganhar um metros de vantagem... isso por várias vezes. Achei que realmente ele nunca deveria ter feito prova em pista, porque essa tática não tem muito a ver... Só de brincadeira, pois sabia que ia diminuir para pegar uma bebida com a Pam no final da volta, dei um sprint por 200m para ver se ele ia junto. Ele acompanhou, ficou ofegante e depois desistiu de sua tática doida, perdendo a vantagem e levando voltas... mas melhor para ele, que faria sua corrida no seu ritmo.
A quarta perna foi a mais difícil da prova, por incrível que pareça. Voltei a correr e o ritmo não encaixava... parecia muito difícil manter-se constante, mesmo próximo de 6:00min/km. Pensei que logo o corpo aqueceria e tudo voltaria ao normal ,mas não... literalmente me arrastava na pista e o desânimo tomava conta. Como seria possível rodar mais 8 horas naquele estado? As duras penas fiquei dentro do ritmo previsto e também foi com dificuldade que relutei em desistir dos 100Km.
Quando voltei a caminhar fiz a única coisa que poderia me salvar na prova... comi e bebi. Talvez a alimentação até alí tivesse sido insuficiente... Comi um lanche da Subway quase que inteiro, tomei isotônico e um gel.
Voltei a correr e o primeiro medo não se concretizou; o estômago aceitou bem a refeição e não reclamava durante a corrida. Essa quinta perna foi ainda um pouco dura, mas em compensação e comprovando minhas teorias alimentícias, a sexta perna foi melhor a sétima ainda mais! Era incrível como eu havia voltado aos níveis inicias de performance depois de quase abandonar meus objetivos. Daí em diante tomei muito cuidado com a alimentação e hidratação... Acho que pelo fato do clima estar muito frio acabei esquecendo essa preciosa parte; bebi de menos e comi de menos. Daí em diante não repetiria mais esse erro.
A sétima hora me chamou atenção para uma parte da prova da qual eu estava desligado: a competição! Como a cronometragem por chip não funcionava e a marcação manual não permitia a publicação de parciais confiáveis não sabia exatamente quantos quilômetros estava atrás do Gerson, mas comecei a perceber que aos poucos o saldo ia ficando positivo. Para cada uma volta que tomava, tirava duas.
Entrando na oitava hora de prova me sentia totalmente estabilizado quanto ao ritmo, alimentação, hidratação e nível de stress. Parecia possível ficar muitas horas naquele esquema. A dor sempre presente fazia com que fosse até possível esquecê-la, conviver com ela, correr com ela, lado a lado. Quem quase sempre me passava na parte da caminhada era a Pam, que se mantinha sempre abaixo de 4min por volta e quando corria ia bastante rápido. Eu até pensei que ela pudesse estar correndo rápido demais, mas agüentou firme. O Paulo Motta também caminhava muito forte e tentei acompanhá-lo em alguns momentos (na verdade ele que diminuía para ir comigo) e até que conversamos bastante. Ele havia largado para rodar 120km mas sentindo que estava bem elevou audaciosamente sua meta para 150km; conquistou com galhardia cada um dos metros no final da prova, quando a maioria estava parada. Quanto ao Gérson, foi a partir daí que começou a despencar... se não me engano, durante essa parte da corrida ele teve que parar uns 20min para massagem. Só soube disso depois, mas certamente sua vantagem caiu bastante por causa disso. Não dava para saber quantos quilômetros já tínhamos corrido pois as parciais saiam com muito atraso, informando passagens de mais de 2 horas atrás. Como percebi estar ganhando terreno fiquei mais motivado em vencer a prova, e coisa que parecia impossível antes começou até mesmo a ficar mais provável. Realmente o Gerson estava sofrendo mais com a prova nesse momento e estava praticamente sem apoio, sozinho por lá... em um momento, quando comia um gel, ele passou por mim recolocando uma volta e pediu o final do meu sachê. Disse que já havia acabado mas que ele podia pegar um inteiro lá na tenda. Meio sem jeito ele negou e por isso quando passei na tenda dei uma entrada e guardei o gel no bolso do shorts. Alguns minutos depois quando ele passou novamente entreguei. Competição a parte, éramos dois contra uma prova duríssimo, enorme; cada qual com suas metas e gostaria que ambos as realizassem.
A nona hora foi o começo do sofrimento final. Já não me sentia tão cheio de energia e sabia que dessa vez não haveria volta; nenhum lanche milagroso ou bebida açucarada faria com quem eu corresse mais facilmente. Era aceitar o corpo e encarar as coisas do jeito que estavam. Ainda dava para manter o ritmo mas optei por estender a caminhada um pouco além, andando sempre de 20 a 25min em cada perna. Nesse momento quase todos os corredores das 24 horas caminhavam e as vezes a pista ficava até mesmo vazia. Essa foi a hora da prova em que a chuva apareceu... mesmo leve, era congelante. A Pam até pegou a capa de chuva para a caminhada, mas logo desistiu da idéia. Alguns minutos depois e o que restara da água era apenas uma garoa bem fina.
Conforme transcorria a décima hora de prova, ia ficando bem complicado correr. O corpo demorava mais de 15min para engrenar a cada retorno da caminhada e a dor intensificava-se; nada localizado, era totalmente diferente das outras provas mais rápidas... não doía uma parte específica, o que havia era uma sensação generalizada de esgotamento. Mas ao mesmo tempo essa sensação era mais fácil de se lidar do que uma dor aguda e pontual. A cabeça ajudava a seguir adiante e pensar que faltavam menos de 2 horas era um combustível e tanto! Nesse momento também tive a quase certeza de que chegaria na frente do Gerson pois ele praticamente só andava e cheguei a perder a conta de quantas vezes passei por ele. Não sabia quanto tinha corrido, mas imaginava algo em torno de 97/98 km. Na verdade eu estava errado, mas sem as parciais ficava difícil precisar.
Com os 100Km quase garantidos, pelo menos era o que eu achava, e a 1a colocação no bolso, fiquei muito tentado em praticamente só andar na última hora. Meio que desisti porque tive medo de não passar dos 100 e também porque era ainda mais difícil caminhar do que correr. Não consigo entender o porque, mas no final caminhar só piorava as coisas... doía muito toda a musculatura posterior da perna. Na corrida ficava mais fácil desempenhar, embora não muito.
As duras penas iniciei a derradeira perna de corrida. Queria terminar correndo e para isso tinha de aguentar mais 30min sem parar... de repente bateu um medo de ainda não ter superado a grande meta final, os 100Km. Estava impossível manter um ritmo constante e acho que a média da corrida foi de 6:05min/km mais ou menos, chegando ao teto de 6:20min/km em algumas voltas. Nunca foi tão difícil correr tão devagar!!
Faltando muito pouco a Pam disse que terminaria correndo comigo. Não seria difícil pra ela acompanhar o meu rastejar dos últimos 5 min.
Quando passei por ela, começou a trotar ao meu lado. O clima já era de festa total. Cheguei a pegar um balão comemorativo com o Mozart, que ele distribuía a todos no tapete do chip, mas deixei com o Bond; ainda precisava correr, não sabia quantos quilômetros havia acumulado até então. Não podia deixar chance dos 100Km escaparem... e se escapassem, eu teria feito o meu melhor até o último minuto.
Abrimos juntos a penúltima volta! Uma sensação incrível! Não havia mais dor nem frio...
Cruzamos novamente o tapete com o relógio marcando pouco menos de 2min e abrimos a última volta! Logo ia terminar a prova mais incrível de minha vida. Pensei que não era verdade, não podia ter feito tudo aquilo... mas estava fazendo... pensei que jamais começaria a prova novamente, se soubesse o que seria desde o início. Mas isso tudo logo passa, sempre dizemos essas coisas depois de uma maratona, certo? Fizemos a curva um, no sentido horário, pegamos a reta oposta ao tapete de chip... faltavam alguns segundos apenas... pouco antes de entrarmos na curva dois o tempo se esgotou! Tinha acabado! A organização orientou os atletas a completarem as voltas que tinham aberto... para nós, foi só mais um trote de 100m.
Sensacional!! Nítido o sentimento de comoção que tomava conta de muitos por alí! Nós dois estávamos em êxtase... era inacreditável. Não havíamos parado, durante toda uma madrugada!
Os outros corredores iam completando suas voltas e aglomerando-se junto ao pórtico. O Mozart cumprimentava um a um. Com muita satisfação apertei sua mão e dei-lhe um abraço. Grande prova de uma grande pessoa; ele e toda sua família estão de parabéns. Para os padrões Corpore, Yescom, foi uma prova minúscula... mas uma Ultramaratona é sempre grandiosa, em todos os sentidos. Não estão de parabéns apenas os que completam, mas os que tem coragem de largar, que tem coragem de desistir e de organizar, a despeito de todos os imprevistos, um evento desse porte.
Cumprimentei o Paulo Motta, visivelmente emocionado. Acho que todos nós sabemos quem ele é, e como ele corre. Seu resultado? 152Km! Superando seu objetivo e primeiro lugar numa das categorias mais disputadas da prova. Paulo, meus sinceros parabéns!!!
Eu e a Pam estávamos esgotados, mas havia muito energia para sorrir e impressionar-se com o resultado um do outro. Para mim, ela superou todas as expectativas... 39Km em 6 horas, basicamente caminhando e sem nenhuma pausa! Um dia eu chego lá... aliás, não entro em uma 24 horas antes de poder fazer o que ela fez em Curitiba! Esse tipo de resistência é fundamental para um bom desempenho em qualquer ultramaratona em pista, que o diga o Paulo Motta, que como ela é um excelente caminhante!
O pessoal se agrupava para a premiação.
Sabia que tinha sido o primeiro, mas não sabia a quilometragem.... lembrei de quando abrimos a última volta faltando menos de 2 minutos. Que volta seria aquela? O frio na barriga pela espera da distância final...
No momento da premiação das 12 horas o Mozart anuncia que, Paulo Nogueira Starzynski era o primeiro colocado, com 100 quilômetros e 400 metros!!!! POR UMA... AQUELA ÚLTIMA... o prêmio por todos os segundos de esforço durante toda a noite. Bastava ter parado 1min, ter feito um pequeno alongamento, caminhado um pouco mais, e terminaria com 99 e alguma coisa... feliz mas (quase) derrotado por mim mesmo.
Nada disso aconteceu! Muito mais que o primeiro lugar, atingir esse objetivo foi o maior prêmio.
CEM. CEM QUILÔMETROS!
Não conheço palavras para descrever o que senti nesse momento e depois recebendo o troféu de campeão geral, ao lado do Adão e do Epifânio, vencedor das 6 Horas. Também não conheço palavras para expressar o orgulho que senti quando ví a Pamela erguendo o troféu das 6 Horas! Feliz por ela e pelo despertar da vontade de superação no esporte que tanto gosto.
O resto é história.
Com a ajuda do Bond, guardamos as coisas no carro e voltamos para o hotel. Saímos só para almoçar e depois foi a hora de hibernar até o dia seguinte para encarar a estrada vazia e tranqüila, de volta à Sampa.
A todos que ficaram na torcida, mandaram emails e acompanharam os treinos, um muito obrigado!
Ao pessoal da NT, vocês sabem que não existem palavras que os definam perfeitamente, a força e energia que vem de todos é diferente de qualquer coisa que conheça no mundo das corridas.
E finalmente a Pam, mais que um obrigado pela companhia, um PARABÉNS pelo excepcional resultado! Você promete, e sabe disso! Continue, sempre!
Valeu!
Paulo.

RELATO DO PAULO MOTTA OLIVEIRA

24 horas depois...
Paulo Motta Oliveira

Tudo começou na volta da Pampulha, em 2001. Depois de uns três meses do que eu considerei um treino duro (!), fiz os quase dezoito quilômetros da prova em 2h e 20 minutos. Desde então, não consegui melhorar meu ritmo de forma significativa: continuo achando inacreditável que consigam fazer maratonas abaixo das 4 horas. Dez quilômetros abaixo dos 50 minutos, então,acho tarefa para pessoas com superpoderes.
Em compensação, ao menos tenho alguma resistência: nesses quase seis anos de corredor já completei 24 maratonas, e por duas vezes consegui correr duas maratonas em fins de semanas seguidos (em 2002 as minhas duas primeiras, Verona e Viena, e em 2005 as de Paris e Gold Marathon em Lisboa). Já fiz quatro vezes a Praias & Trilhas (uma delas com direito ao troféu “Demorei, mas cheguei”, dado ao último a chegar, o que foi, até o último fim de semana, o único troféu de minha carreira) e três vezes a Supermaratona de Rio Grande.
No ano passado, resolvido a me aventurar um pouco mais, corri, em maio, as 12 horas de São Caetano (84 km) como treino para os meus primeiros 100 km em julho (27e Nacht van Vlaanderen, na Bégica) completados em quase 13 horas (que era, por sinal, o tempo limite). E para fechar o ano, quatro provas em dois meses: a Praia & Trilhas (fui o penúltimo), a maratona quase-noturna de Blumenau, e, como fui dar aulas na França, pude correr a minha mais longa maratona (a de Beaujolais Nouveau, com direito a muitas taças de vinho em todos os postos de abastecimento, e eram 9!) e, por fim, a Saintélyon, uma prova noturna de 68 km, feita por trilhas e estradas. Duas ultras e duas maratonas em seis semanas. Tudo muito devagar. E muito divertido.
Com este currículo estava pensando neste ano repetir a experiência de fazer duas maratonas em semanas seguintes: Porto Alegre e São Paulo. Já tinha até programado um pacote para a primeira quando descobri que iria se realizar uma prova de 24 horas. Era meu sonho. Não tive dúvida: mudei de planos, e junto com uma amiga que também iria correr Porto Alegre, Tomiko, começamos um treino para este novo desafio. Com a orientação dos treinadores de minha equipe, a 100 limites, foi montada uma planilha assassina: muita corrida e caminhada, com sessões, no auge do treinamento, de 6 a 7 horas, mais de 150 km por semana. E começamos a fazer coisas completamente alucinadas, como levantar às 3:30 para sair de casa às 4:20 e ir correndo até o Ibirapuera, onde ficávamos mais umas cinco horas, e depois voltávamos correndo para casa. Em um sábado chegamos na USP às 5:00 e ficamos correndo até às 11:30. Sempre começava caminhando, depois passava um tempo marchando, e só no final corria.
As provas do período foram utilizadas como treino: as duas meias que ocorreram em São Paulo (na da Corpore eu fui e voltei da USP correndo, no total seis horas de treino), alguns 10 km e, na semana anterior à grande prova, a imperdível meia maratona noturna de extrema, em que a Tomiko ainda conseguiu chegar em quarto lugar entre as mulheres. Eu, preocupado em não me acidentar nas trilhas, usei todas as seis horas a que tinha direito, sendo o último dentro do tempo limite.
E chegou o fim de semana do dia 19. Pegamos um vôo na sexta em São Paulo e no sábado fomos para a pista. Uns amigos haviam nos emprestado uma barraca, e o Yuji, filho da Tomiko, foi para nos dar apoio. Eu sabia muito bem o que queria: dividir a corrida em quatro blocos de cinco horas, seguidos cada um de uma hora de descanso, completando, no total, 120 km. Se não estivesse muito destruído pensava em, talvez, parar um tempo menor ou continuar correndo. A regra de ouro (eu aprendi) era começar cada um dos blocos muito devagar: fazer 400 m em torno de 4 minutos.
E a prova começou, às 10 horas da manhã. Na frente da barraca, alguns saches de gel, um litro de caldo de cana (eu tinha mais um congelado), e outros apetrechos. Rapidamente me transformei no último da prova. Não tinha problema. Eu sabia que esta situação não ia durar para sempre. Depois de umas duas horas em que mesclei caminhada e marcha, comecei a correr devagar. E fui em frente. Como os loucos não são muitos, conhecia a maior parte dos corredores, e sempre era possível conversar com um ou com outro. E as horas foram passando, sem grande cansaço, e bem divertidas. Com 5h e 15 minutos completei as minhas primeiras 100 voltas. “Estou inteiro, não preciso parar”. E não parei, só comecei tudo de novo, e voltei a caminhar, depois a marchar, e por fim a correr, E assim se passaram outras 5 horas e 30, e completei outras 100 voltas. Foi aí que decidi: 120 é pouco, vou tentar completar 150 km. Ainda faltavam mais de 13 horas, e eu teria de fazer só mais 180 voltas! Por que não?
Ao chegarem as 12 horas eu completei os mesmos 84 km de São Caetano. Maravilha, pensei. Só que uma hora depois o cansaço estava batendo forte, muito forte. O meu ritmo foi caindo vertiginosamente: começou a ser difícil completar a volta em 4 minutos e meio. Não dá mais, eu pensei, ou descanso ou não vai dar certo. Já achando impossível atingir a nova meta, fui deitar um pouco antes das duas da manhã, e pedi para a Tomiko me acordar às 3. Nem precisou, pois levantei sozinho. Miraculoso descanso. Está certo, assim que saí da barraca achei que seria impossível caminhar. Tudo estava travado. Mas umas duas voltas depois, já um pouco aquecido, tudo mudou. E foram, para mim, as melhores sete horas da prova. Sentindo-me inteiro, e intercalando caminhada forte com corrida, fui fazendo voltas e mais voltas. Comecei a passar as pessoas, ou a correr junto daqueles que considerava imbatíveis. Quando consegui correr quase duas voltas com o Adão (como ele consegue correr daquele jeito por tanto tempo?) e depois ainda ultrapassá-lo percebi que realmente estava bem. A estratégia fora correta: tinha me poupado, podia agora, administrando corretamente, ir até o fim da prova sem grandes dificuldades. E fui, ora conversando com um, ora com outro, várias vezes conversando com o Paulo que entre caminhada e corrida ia cumprindo o seu objetivo de fazer 100 km em 12 horas. Chorei algumas vezes, eu não acreditava no que estava acontecendo. Quando completei as 375 voltas, explodi. Eu tinha feito 150 km! Passei a contar para alguns, quando passava por eles, feito bobo: já fiz os 150! Faltavam alguns parcos minutos, mas ainda consegui dar mais sete voltas. Foi o máximo. E a prova terminou.
Telefonei para minha esposa, eufórico. Subi para tomar banho, e fui para a premiação. Eu sei como sou, sei que a minha categoria é difícil e não espera ganhar nenhum troféu. Mas não importava. Tinha feito bem mais do que esperava, e isto já bastava. O treino e a tática tinham funcionado, a cabeça comandara o corpo, e apesar de muito cansado eu estava com poucas dores. Poderia estar melhor? Poderia, descobri pouco depois. Vi a premiação, vários pódios, entre eles o das mulheres, com a Tomiko em segundo lugar. E chegou a minha categoria, o Mozart chamou o primeiro classificado: Paulo Motta Oliveira. “Eu? Não é possível?” Levei um tempo para acreditar, e com olhos mareados subi. Eu tinha sido o primeiro! Eu, que sempre corro lento, que não consigo baixar meu tempo de maratona, que já fui algumas vezes o último. Inacreditável.
Moral da história? Como depois escrevi para os meus amigos, acho que mesmo um lento pangaré tem seus dias de glória, ou que qualquer patinho feio descobre onde pode ser cisne. Acho que achei minha prova. Pena que o treino seja tão duro. Mas não tem problema. A felicidade depois compensa tudo. Ano que vem, se tudo der certo, estarei de volta. As 24 horas que me esperem...


 

APOIO


TROFÉUS E MEDALHAS



ALIMENTAÇÃO


ÁGUA MINERAL


IDENTIFICAÇÃO DE ATLETAS


LOCAL DA PROVA


DIVULGAÇÃO E PLANEJAMENTO